St. Vincent é uma ilha. E essa afirmação é duplamente correta.
Localizada no Caribe, a ilha vulcânica de Saint Vincent é a maior da região onde se localiza, entre as ilhas de Grenade e Santa Lucia, e foi disputada por ingleses e franceses no século XVIII. Ao final, quem ficou com a região foi a Ingletarra.
Por outro lado, St. Vincent é também o pseudônimo de Annie Clark, cantora americana que já fez parte do superlotado Polyphonic Spree e da banda de apoio de Sufjan Stevens antes de lançar sua própria turma. A moça também é uma ilha – de criatividade, cercada das mais absurdas e lindas referências por todos os lados.
Não conheço muito a respeito da primeira, mas a segunda, posso atestar do alto da experiência de ter escutado três álbuns de sua carreira, que se trata de uma St. Vincent de visitação imprescindível. Talentosíssima guitarrista, de voz açucarada e uma cabeça completamente corrompida e doentia, ainda que não perca nunca a suavidade, Clark leva o St. Vincent a lugares absurdos com simplicidade e habilidade. Em “Strange Mercy”, seu mais novo disco, terceiro de uma carreira curta e vitoriosa, o lado compositora da moça explode em uma série de canções inspiradíssimas, com letras revelando todo seu lado esquisitão em cima de estruturas pouco convencionais, apesar da roupagem pop que recobre tudo com cuidado teatral.
Assim como em “Actor”, aclamado álbum de 2009 que alçou St. Vincent ao topo da música indie, Annie Clark deixou que um lado sorumbático fizesse par perfeito com a doçura em suas novas composições, sempre ganhando um pontinho a mais nos detalhes – seja uma guitarrinha perdida no meio de “Chole In The Afternoon”, a batidinha ligeiramente quebrada da faixa-título ou o sintetizador nebuloso de “Surgeon”. Clássicos imediatos surgem em “Strange Mercy”, como “Cruel”, uma peça digna de prêmio com suas guitarras barulhetas recortadas, uma história esquisita que fica nas entrelinhas e o refrão absolutamente viciante, e “Cheerleader”, uma música sombria e linda em todos os aspectos.
Tudo que diz respeito a St. Vincent, desde seu visual pouco comum até os caminhos intrincados que sua música percorre, faz dela um alento em meio à pasmaceira de banda que parece com outra banda, gente que parece outra gente, sons que parecem outros sons. Maior, mais bonita e mais brilhante do que aquela do Caribe, St. Vincent é uma ilha de criatividade e originalidade fincada no meio de um mar de você já ouviu isso antes.
*Texto publicado anteriormente no dia 08 de novembro de 2011, no site Style-A-Holic — leia a versão original aqui.









